quinta-feira, 8 de novembro de 2007
CANSADA
Acho que é esse o termo. Estou cansada. Não é cansada do trabalho. Não é cansada da vida familiar. Não é cansaço de fim do dia. É simplesmente, cansada. Cansada da vida? Não, isso nunca!
Cansada da forma como levo a minha vida? Talvez... não sejas covarde, admite - é isso mesmo. Estou cansada da forma como tenho vivido. Calada.
Estou a recuperar de uma depressão bastante grande que me pos inactiva durante 4 meses. Nos primeiros 2 a unica coisa que conseguia fazer era dormir. Graças a Deus, tenho uma mãe que se preocupa muito comigo e vive em frente a minha casa, quer dizer, eu vivo em frente a casa dela.
Foi uma experiência que me fez reflectir bastante sobre a forma como estava a encarar a vida.
Tenho dois filhos maravilhosos para criar e nunca em nehuma altura me passou pela cabeça, mesmo nos momentos mais criticos, separar-me deles. Eles eram e sempre foram a minha força, mas isso só por si pode não ser suficiente e eu descobri isso.
A relação que estava a ter com eles nesse tempo não era de qualidade. Paciência inexistente, tolerância zero, falarem comigo quando estava mais irritada era, dentro do meu conceito, para eles perigoso. E, como eram a parte mais fraca de todos os que me envolviam acabavam sempre por pagar pelo "pecado" dos outros mas sobretudo pelos meus pecados.
Passava noites seguidas sem conseguir dormir, sem sequer conseguir estar na cama, tal era o estado de ansiedade.Por vezes andava pela sala de um lado para o outro como uma leoa enjaulada enquanto todos dormiam e no outro dia lá ia trabalhar.
O meu trabalho consiste em atender pessoas e eu costumo dizer aos meus amigos que se quizermos ver o que uma pessoa que consideramos impecável tem de pior, onde trabalho é o é o sitio ideal para isso.
Pessoas que consideradas honestas, tornam-se desonestas, pessoas sinceras deixam de o ser, pessoas que se dizem sem hipocrisia dão o seu melhor nessa matéria.
começou a ser exaustivo.
Eu, raramente bato nos meus filhos.
Um dia, sem razão para isso, só porcausa de uma contrariedade, dei uma grande bofetada na cara ao meu filho em plena rua, quando iamos começar a atravessar a passadeira.
Será um dia que nunca esquecerei.
Foi terrivel mas também foi a minha salvação.
Nesse dia compreendi finalmente que aquela pessoa não era eu. Que não ia passar. que podia piorar e bater a um filho meu daquela maneira... não podia permitir que piorasse.
no dia seguinte estava com a minha médica. Compreendi finalmente que precisava de ajuda. Nesse mesmo dia fiquei em casa por um periodo de 4 meses consecutivos e duas juntas médicas pelo caminho a pedido das minhas chefias.
Passado um mês de estar em casa meu chefe solicitou junta médica. Estava naquela altura a fazer tratamento de sono, ou seja, com medicação, para recuperar sono perdido. Pouco tempo estive com as médicas e sai delá com a confirmação da baixa.
Como é que alguém que me conhece minimamente poderia achar que era uma treta??? Não percebo. ou talvez perceba. Perceba que ao deixarmos de ser produtivos deixamos de prestar... É assim que funciona. Isso custa a assumir. Mas é uma das etapas a ultrapassar e é nessa que eu estou actualmente.
Não vale a pena contar a história toda pois ia deixar-me triste e em simultaneo revoltada.
Posso dizer que ao fim dos 4 meses regressei ao trabalho por minha iniciativa. Não conseguia estar mais em casa. Minha médica no inicio não queria, mas lá se deixou convencer. Um mês depois estava eu novamente em casa pois quizeram que eu lhes compensasse o tempo perdido e eu não consegui pois esse tempo é atender pessoas e eu não aguentei . Foi terrivel para mim pois compreendi aquilo que eu significava numa casa onde já lá trabalhava à cerca de 10 anos. Mas pior foi depois. Nesse mesmo mês recebo um telegrama para no dia seguinte me apresentar numa junta médica. Deus... Lá fui eu e fui dada como... inapta para o trabalho. Cerca de 4 dias depois, a meu pedido, novamente, estava a trabalhar.Fui a uma consulta de medicina de trabalho da instituição onde trabalho ( a pedido da chefia...) que me deu apta para o trabalho com limitações por um periodo de 90 dias. Ou seja, durante 3 meses não podia fazer atendimento directo ao público mas fazia todo o trabalho de retaguarda. Sabem como as minhas cfefias receberam a noticia? Furibundos. No meu primeiro dia de trabalho tive uma grande discussão com uma das minhas chefias porque achava que devia de ficar em casa de baixa médica, porque com essa limitação não servia de nada. Sabem quanto essa chefia ganha???????????? Eu disse fico porque 1º quero trabalhar, segundo preciso do dinheiro. Vai para casa tratar-te, fica totalmente boa e depois regressa, que assim não serves de nada.
Lixo, certo??????? É isso que somos quando deixamos de ser produtivos.
Não ia permitir que me derrubassem, tinha dois filhos.
E sempre foi a eles que durante vários episódios semelhantes a estes eu recorri para não ser vencida. E continuo a recorrer.
Agora ,um ano depois, estou a fazer o desmame do anti depressivo e tive que retomar o ansiolitico, pois entretanto, também com a minha concordancia deixei de trabalhar com limitações. Comecei a ter ataques de qnsiedade.
Actualmente, tenho que tomar o ansiolitico e de me abituar a una ataquesinhos de ansiedade, mas nada que não vá ultrapassar, porque os meus filhos merecem, interessam, e, bem, eles não interessam para nda, ou pelo menos para mim. E esta é a postura que estou a adoptar. conforme uma amiga dizia, cago em cima deles do quarto andar.
Ah, claro está, tenho que recuperar em cerca de 3 meses 6 meses de atendinebto que não fiz?
REtomei o ansiolitico, ainda mais forte que o anterior, mas aqui estou. Ainda não derrubada e pelos meus filhos, como uma pedra, nunca derrubada.
sou daqueles que acredita que o importante é o tipo de vida que levamos e que acabamos sempre por pagar pelo mal que fazemos aos outros. Por isso sou sempre daqueles que nada faz para se vingar ( é demasiado desgastante) mas que fica a aguardar e ver...
Justiça divina! ela existe não existe.
Sabem que mais, eu tenho dois filhos a que me agarrar, quando estou "cansada" e uma das minhas chefias queria ter e não pode, não consegue...isso é intervenção divina?
Ninguém merece isso quando quer muito ter um filho mas se calhar o ditado Deus escreve por linhas tortas tenha algum significado. eu, no meu trabalho, tento servir os interesses da minha organização, conciliá-los com os uetentes e conseguir pratcar o bem. Há simplesmente pessoas quenão conseguem...
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